quinta-feira, 15 de maio de 2025

CONCURSO SER ESCRITOR É COOL! - 3º DESAFIO

A Biblioteca Escolar João de Deus, em articulação com os docentes de Português, incentivou os alunos do 3º ciclo a participar no terceiro desafio do Concurso Ser Escritor é Cool!, uma iniciativa promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares.


Parabéns a todos os alunos do 9ºA e 9ºB que participaram neste desafio. Os textos produzidos foram muito criativos!

O júri constituído selecionou como o melhor trabalho, do escalão, tendo em conta a sua votação (75%) e a votação do público (25%) o texto produzido pela aluna Catarina Revéz, do 9ºA.


Camões no século XXI

Camões: Ui! Onde é que estou? Isto não se parece nada com o mundo que conheci… Que luzes são estas? E que ruído é este que parece vir de todos os lados?

Eu: Olá, Luís Vaz de Camões! Bem-vindo ao século XXI. Estás em Portugal… no ano de 2025! 

Camões: Como é que sabes o meu nome? E porque te vestes assim? 

Eu: Toda a população de Portugal sabe quem tu és, Camões. Foste e continuas a ser um marco da literatura portuguesa. E eu estou assim vestida, porque a população já não vive na tua época, com reis, príncipes e princesas… Por aqui, em 2025, temos uma tecnologia avançada, com telemóveis, trotinetes elétricas, computadores e muito mais…

Camões: Tecnologia? Que palavra estranha… E o que são esses pequenos espelhos de luz que todos carregam nas mãos?

Eu: São telemóveis. Com eles podemos falar com alguém do outro lado do mundo, enviar mensagens, ver imagens, ouvir música, aprender coisas novas em segundos ou até ler “Os Lusíadas”. Agora a comunicação é instantânea. Mas, sabes, essa rapidez tem um custo…

Camões: Ah! Já percebo. As palavras voam tão depressa que não deixam tempo para sentir. Na minha época, uma carta de amor era um poema escrito com cuidado. Hoje, talvez se diga “amo-te” com um dedo e um emoji… Que pena, que pena...

Eu: É verdade. A tecnologia aproximou o mundo, mas também afastou os corações. As relações mudaram. As pessoas falam muito, mas ouvem pouco. As distrações são muitas. As redes sociais, os ecrãs, a pressa… tudo isso rouba tempo ao verdadeiro encontro entre as pessoas.

Camões: Um mundo que conhece os meus versos, mas que se esquece do silêncio entre as palavras. Se os homens preferem a velocidade à contemplação, então talvez o amor precise de reaprender a andar devagar.

Eu: D. Sebastião prometeu-te uma pensão pelos teus feitos. Por que razão morreste pobre?

Camões: Morri pobre e de estômago vazio, sim… mas com honra. Porque deixei ao meu povo palavras que ainda vivem.

Eu: E que viverão para sempre. Obrigada, Camões. Foi um privilégio falar contigo.

Camões: O privilégio foi meu. Que os vossos tempos encontrem poesia no meio da pressa. Adeus, gentil alma do futuro.

                                                                                                         Catarina  Revéz


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